terça-feira, 15 de abril de 2014

Pesquisadores descobrem por que autismo é mais comum em meninos

Estudo mostrou que o cérebro feminino requer alterações mais extremas que o masculino para produzir sintomas da doença

Um estudo conduzido por pesquisadores suíços e americanos descobriu que o cérebro das mulheres tolera um maior número de mutações genéticas até apresentar os sintomas de distúrbios do desenvolvimento neurológico, como o autismo. Esta espécie de “modelo protetor”, de acordo com os autores do estudo, explica o fato de o autismo ser mais comum em homens que em mulheres. Eles representam 80% da incidência da doença.

A incidência de autismo em meninos é quatro vezes maior que em meninas
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), distúrbios de desenvolvimento neurológico - como eficiência intelectual, distúrbio específico de linguagem, transtorno de déficit de atenção, hiperatividade, epilepsia e autismo -  afetam uma em cada seis crianças em países industrializados. Estudos mostram que há de 30% a 50% mais meninos que sofrem destas doenças do que as meninas.
"Este é o primeiro estudo que demonstra uma diferença em nível molecular entre meninos e meninas no que se refere ao desenvolvimento de uma deficiência neurológica", disse em um comunicado o autor do trabalho, Sébastien Jacquemont, pesquisador do Hospital da Universidade de Lausanne, na Suíça. "O estudo sugere que há um nível diferente de robustez no desenvolvimento do cérebro, e as meninas parecem ter uma vantagem clara."
Para avançar na compreensão da diferença de gênero, Sébastien Jacquemont juntamente com Evan Eichler, da Universidade de Washington, em Seattle, compararam a frequência de alterações genéticas em cerca de 16 mil crianças com transtornos do desenvolvimento neurológico.
A análise mostrou que as meninas diagnosticadas com alguma disfunção do desenvolvimento neurológico ou transtorno do espectro autista tiveram um número muito maior de mutações, o que demonstra que o cérebro feminino requer alterações mais extremas que o masculino para produzir os sintomas.
Vamos com calmaO psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, Guilherme Polanczyk, concorda que existe sim uma questão de gêneros neste assunto. “Sem dúvida há uma questão de sexo nisto. O próprio autismo e o TDAH [transtorno do déficit de atenção com hiperatividade] é mais comum em meninos. Mas, após a puberdade, distúrbios de ansiedade e depressão ficam mais comuns em mulheres. Acho que temos um caminho aí que pode nos levar a boas descobertas”, disse.
Polanczyk afirma, no entanto, que embora os dados mostrem que as meninas apresentavam mais mutações para manifestarem os sintomas dos distúrbios, o “modelo protetor” é ainda apenas uma especulação. “Acho a explicação plausível, mas ainda é preciso fazer mais replicações deste tipo de estudo para ter certeza”.

Referência: http://saude.ig.com.br/minhasaude/2014-02-27/pesquisadores-descobrem-por-que-autismo-e-mais-comum-em-meninos.html



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